Interdição não é punição, é ferramenta de proteção da sociedade
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) vai se manifestar no processo da decisão judicial que suspendeu a interdição ética de alas do Hospital Universitário (HU) de Canoas.
A autarquia garante que a fundamentação para a interdição se baseia em fatos recorrentes, graves e que colocam em risco a saúde da população. Também esclarece que a interdição não é uma punição para o Hospital ou sua administração, mas uma ferramenta de proteção da sociedade diante de riscos verificados reiteradamente em meses de fiscalizações.
O Cremers está analisando toda a documentação enviada pelo HU, bem como as informações recolhidas em vistorias realizadas na última sexta-feira, sábado, domingo e segunda-feira. O Conselho espera, para o bem de todo a rede de saúde do estado, que os problemas sistêmicos diagnosticados no HU sejam prontamente resolvidos para que a interdição possa ser revertida o mais breve possível.
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Cremers estreia terceira temporada do videocast Escuta o Conselho com episódio sobre violência contra a mulher
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) lança, na próxima segunda-feira (2), a terceira temporada do videocast Escuta o Conselho, reforçando a proposta de debater temas atuais da Medicina com foco na realidade de médicos, de profissionais da saúde e da sociedade. A estreia, que estará disponível no YouTube e Spotify, será marcada por um episódio especial sobre violência contra a mulher e o aumento dos feminicídios no estado, tema que ganha ainda mais relevância diante dos dados recentes de agressões e mortes motivadas por gênero.
“A terceira temporada do Escuta o Conselho representa mais um passo na missão do Cremers de aproximar a Medicina da sociedade e qualificar o debate público sobre saúde”, afirma o presidente da autarquia, Régis Angnes. “Desde a primeira edição, o videocast se consolidou como um espaço de diálogo sério, técnico e, ao mesmo tempo, acessível, trazendo temas que atravessam o cotidiano dos médicos, dos demais profissionais da saúde e da população gaúcha”, completa.
Apresentado pela psiquiatra e conselheira do Cremers, Silzá Tramontina, o trigésimo episódio do programa discute como a violência de gênero atinge não apenas a população em geral, mas também médicas, enfermeiras e outras profissionais da saúde, que muitas vezes acumulam a condição de cuidadoras e, ao mesmo tempo, de vítimas. Para aprofundar o debate, participam a psicóloga e psicoterapeuta de casais Débora Coelho, a secretária Estadual da Mulher do RS e enfermeira, Fábia Richter, e o psiquiatra e psicoterapeuta Nelio Tombini, que trazem olhares complementares da clínica, da política pública e da saúde mental.
Ao longo da conversa, o programa aborda como a violência pode começar de forma silenciosa, por meio de controle, humilhações e chantagens, e evoluir para agressões físicas e feminicídio. Os especialistas comentam os sinais de alerta que mulheres precisam reconhecer, os efeitos da dependência econômica e emocional na ruptura de ciclos abusivos e o impacto da violência na saúde mental, com sintomas como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e adoecimento relacionado ao trabalho.
Lançado em 2024, o videocast já abordou temas como exercício ilegal da Medicina, história da Medicina no RS, saúde mental dos médicos, uso de celulares por crianças e adolescentes, entre outros assuntos de relevância para os médicos e toda a sociedade. Com dois episódios inéditos por mês, os programas contam com apresentação dos conselheiros do Cremers e convidados que são referências em suas áreas de atuação. Os episódios anteriores estão disponíveis no canal do Cremers no YouTube e no Spotify.
Texto: Clarice Passos
Edição: Viviane Schwäger
Atuação do Cremers no Hospital Universitário de Canoas
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informa que a interdição ética cautelar parcial aplicada a setores críticos do Hospital Universitário (HU) de Canoas foi fundamentada em critérios exclusivamente técnicos, após processo de fiscalização iniciado em 2025 e reiteradas notificações quanto à insuficiência de equipes médicas em áreas vitais como UTI Neonatal e Centro Obstétrico.
A medida não tem caráter punitivo, mas preventivo, e foi adotada diante da persistência de irregularidades que configuram risco à vida e à segurança dos pacientes e às condições de trabalho dos médicos, incluindo escalas incompletas em setores de alta complexidade. Trata-se de instrumento de proteção à assistência e ao atendimento em saúde.
Cabe ressaltar que, em saúde, nem sempre ter qualquer atendimento é melhor do que ter nenhum atendimento.
A decisão judicial que suspendeu temporariamente os efeitos da interdição por 30 dias será cumprida, como determina o Estado de Direito. O Cremers adotará as medidas processuais cabíveis para demonstrar que sua atuação decorre de dever legal de fiscalização e tem como único objetivo garantir assistência médica segura à população.
O Conselho seguirá acompanhando de forma rigorosa a efetiva regularização das escalas e das condições assistenciais. Quando as irregularidades são comprovadamente sanadas, quem ganha é a sociedade.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Cremers participa de reunião de alinhamento de campanha do MP-RS contra o uso de cigarros eletrônicos
A coordenadora da Câmara Técnica (CT) de Psiquiatria do Cremers, Silzá Tramontina, participou de reunião de alinhamento da campanha estadual de conscientização contra o uso de cigarros eletrônicos, que será lançada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS). O encontro ocorreu nesta sexta-feira (20/2), na sede do MP-RS, e reuniu representantes de entidades da saúde, segurança, educação e fiscalização.
Participaram do encontro a promotora de Justiça Cristiane Della Mea Corrales, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude; o promotor de Justiça Leonardo Menin, coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e da Proteção aos Vulneráveis; e a procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros.
Em sua fala, Tramontina ressaltou que a questão do uso de cigarros eletrônicos (vapes) preocupa o Cremers há muito tempo, e que os danos não se restringem à saúde física dos usuários, mas atingem também a saúde mental. Segundo a médica, é cada vez mais frequente o atendimento a crianças e adolescentes com alterações psiquiátricas associadas ao uso desses dispositivos. “Tenho visto muito, no meu consultório, crianças e adolescentes com alterações psiquiátricas causadas pelo uso do cigarro eletrônico. Antes das questões pulmonares e cardíacas, os pacientes apresentam sintomas como agressividade, irritabilidade e até mesmo psicose induzida pelo uso”, alertou. Ela reforçou, ainda, a importância de unir as diversas entidades presentes em uma campanha de prevenção, conscientização e repressão ao consumo.
Atualmente, os cigarros eletrônicos são proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas os especialistas presentes destacaram que o acesso aos dispositivos segue fácil, tanto pela internet quanto em pontos de venda físicos. Foi enfatizado que esses produtos podem conter concentrações elevadas de nicotina, associados a solventes, metais pesados e aromatizantes, o que aumenta o potencial de toxicidade e dependência, especialmente entre jovens. Também foi mencionado que, ao contrário do cigarro convencional, cujos efeitos costumam aparecer após uso prolongado, os cigarros eletrônicos podem rapidamente causar problemas pulmonares graves, comprometimento cardiovascular e prejuízos cognitivos.
Outro ponto abordado foi o apelo mercadológico dos dispositivos, com formatos discretos, luzes e sabores atrativos, o que contribui para a falsa percepção de menor risco e torna crianças e adolescentes mais vulneráveis ao consumo.
Além do Cremers, do MPF e do MP-RS, estiveram presentes representantes da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), da Associação de Psiquiatria do RS (APRS), da Polícia Civil, da Brigada Militar, além de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), entre outras instituições.
Em breve, a CT de Psiquiatria do Cremers irá lançar parecer sobre o uso de cigarros eletrônicos, oficializando a posição do Conselho sobre a temática e oferecendo subsídios técnicos para ações de prevenção, regulação e cuidado em saúde.
Texto: Clarice Passos
Edição: Viviane Schwäger
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Cremers interdita setores críticos do Hospital Universitário de Canoas por risco à segurança dos pacientes

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) interditou eticamente, na manhã desta sexta-feira (20), o trabalho médico em setores essenciais do Hospital Universitário (HU) de Canoas. A medida drástica, que proíbe novas internações e atendimentos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, no Centro Obstétrico, na Sala de Parto, no Alojamento Conjunto e na Internação Pediátrica, foi tomada para garantir a proteção e a segurança dos pacientes diante do colapso assistencial e da persistente falta de condições de trabalho na instituição.
A decisão é resultado de um longo processo de fiscalização que documentou a progressiva deterioração do hospital, gerenciado pela Associação Saúde em Movimento (ASM), empresa terceirizada pela Prefeitura de Canoas. A ação busca evitar mortes e garantir o adequado exercício da Medicina.
O vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, justificou a medida como um imperativo ético. “Nós tomamos essa medida pelo risco assistencial aos pacientes. Em questões de matéria de vida e de risco de vida, nós não podemos flexibilizar”, afirmou. Ele destacou que a situação se tornou insustentável, especialmente em áreas onde a presença médica é crucial. “Nós tomamos essa medida extrema porque, em setor extremamente crítico, onde a presença do médico é fundamental, como a UTI Neonatal, o HU não estava conseguindo promover as escalas. Nós não podíamos permitir que isso continuasse”, completou.
Histórico de irregularidades
A interdição não foi uma surpresa para os gestores. O Cremers vinha alertando sobre a gravidade da situação há mais de um ano. Um histórico de ações evidencia o agravamento da crise.
Em 2025, uma vistoria apontou 41 irregularidades, incluindo subdimensionamento de equipes e falta de materiais. Novas fiscalizações foram realizadas ao longo de 2025 e 2026, confirmando a persistência e o agravamento dos problemas.
O parecer jurídico que fundamentou a decisão do plenário do Conselho foi categórico ao apontar a “prova inequívoca” do risco, baseada no “crônico subdimensionamento de médicos” e na “inexistência do elemento humano indispensável para a manutenção da vida”.
Motivos da interdição
O principal motivo para a interdição foi a incapacidade da gestão do HU de garantir equipes médicas completas e qualificadas, especialmente em setores que atendem gestantes de alto risco e recém-nascidos. O hospital é referência para mais de 150 municípios gaúchos.
“O motivo que levou a essa interdição foi a reiteração das fiscalizações que demonstravam não haver condições para o exercício adequado da Medicina, isto é, escalas médicas incompletas em setores críticos, como a UTI Neonatal, e também a falta de insumos”, explicou Trindade.
Interdição ética parcial
A interdição é fundamentada na Resolução CFM 2062/2013, que prevê a medida quando não existem condições mínimas para a segurança do ato médico, como “recursos humanos treinados, qualificados e atualizados”.
Os autos fixados às áreas críticas do hospital comunicam à gestão, aos médicos e à população que, na prática, fica VEDADO a qualquer médico o exercício profissional nos setores interditados. A medida proíbe novas internações nessas áreas críticas e exige a transferências dos pacientes já internados, que devem continuar sendo atendidos enquanto não forem transferidos. Pacientes que chegarem em situação de emergência ao hospital devem ser avaliados e, conforme decisão clínica, atendidos ou encaminhados a outras instituições.
Resolução do problema
A interdição cautelar perdurará até que a gestão do hospital comprove, por meio de nova vistoria, o preenchimento integral das escalas com profissionais habilitados e a regularização dos insumos necessários.
O Cremers seguirá acompanhando o caso e notificando os órgãos competentes para que um plano de contingência seja estabelecido para os pacientes da região.
Cremers aplica interdição ética parcial ao HU Canoas para proteger a população
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) determinou a interdição ética cautelar parcial do exercício da Medicina no Hospital Universitário (HU) de Canoas. Na prática, fica VEDADO a qualquer médico o exercício profissional na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, no Centro Obstétrico, na Sala de Parto, no Alojamento Conjunto e na Internação Pediátrica, o que proíbe novas internações e atendimentos nessas áreas críticas e exige a transferências dos pacientes já internados.
A medida entra em vigor às 11h desta sexta-feira (20), foi tomada em virtude do colapso sistêmico verificado na instituição, e busca a proteção dos pacientes internados e da população de mais de 150 municípios que têm o HU como referência.
Como motivos principais para a interdição, o Cremers aponta a existência de vazios assistenciais planejados, a falência técnico-pedagógica da instituição, a coação financeira dos profissionais e o subdimensionamento da equipe médica a ponto de criar uma “loteria da morte” (situações em que o único plantonista seria obrigado a escolher qual paciente receberá socorro, condenando o outro a sequelas irreversíveis ou óbito).
As irregularidades foram apuradas por meio de vistorias de fiscalização, análise de documentos e depoimentos de envolvidos.
O HU havia sido notificado, no final de 2025, sobre os graves problemas nas escalas médicas. No auto de interdição, o Cremers acusa a persistência do cenário de caos, agravada por fatos documentados em janeiro e fevereiro de 2026, que configura contumácia, revelia administrativa e dolo eventual da Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do hospital. A inércia frente os riscos apontados pelo Conselho expuseram a população a perigo concreto de morte.
O Cremers alia a interdição ética à solicitação de providências por parte do Ministério Público Estadual, da Secretaria Estadual da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de Canoas e da Polícia Civil.
Prazo para organização
O Cremers decidiu pela interdição ética cautelar parcial do HU de Canoas em reunião plenária extraordinária realizada na quarta-feira (18). O prazo dado entre a votação e a interdição busca permitir aos gestores coordenar a transferência segura dos pacientes.
Cremers promove solenidade para entrega de carteiras profissionais aos novos médicos do estado
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) irá recepcionar os novos médicos em solenidade de entrega de carteiras profissionais, nos dias 24 e 25 de fevereiro, a partir das 17h, no auditório da autarquia, em Porto Alegre (Avenida Princesa Isabel, 921).
Na ocasião, serão entregues as carteiras profissionais aos novos registrados, em um momento que marca o primeiro passo oficial na carreira e reforça o compromisso com a ética, a excelência e o serviço à sociedade.
No dia 24 (terça-feira), serão recepcionados os formados pela Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo (Feevale), Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
No dia 25 (quarta-feira), será a vez dos formados pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) receberem suas carteiras profissionais.
Médicos recém-formados que ainda não confirmaram presença podem entrar em contato com o Conselho pelo e-mail rp@cremers.org.br.
Texto: Clarice Passos
Edição: Sílvia Lago
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Cremers alerta para tentativa de golpe com cobrança de anuidade
O Cremers alerta para nova tentativa de golpe contra médicos que é enviada por e-mail. Criminosos se passam pelo Conselho para cobrança da Anuidade 2026.
A mensagem simula um e-mail automático com menção ao nome do médico e ao número de registro no Cremers. O texto conta ainda com um link para que o profissional acesse a área do médico, onde gera um código Pix Copia e Cola.
Como não cair em golpes:
- – O Cremers envia boletos por e-mail ou WhatsApp somente após a solicitação do médico. Para solicitar o boleto, o médico precisa acessar o Espaço do Médico no site cremers.org.br ou no aplicativo e escolher a forma de pagamento desejada.
- – Pagamentos on-line com pix e/ou cartão de crédito de débitos em aberto para médicos registrados no Cremers são realizados SOMENTE pelo Espaço do Médico também no site cremers.org.br ou no aplicativo.
- – Não compartilhe seus dados com contatos desconhecidos. O Cremers utiliza apenas canais oficiais para comunicação com os médicos.
Recebeu uma comunicação e ficou na dúvida se é golpe? Pergunte ao Cremers: WhatsApp (51) 98970-1530.
Os filhos da violência
Os casos de feminicídio que estão flagelando o Rio Grande do Sul não matam apenas as mulheres, vítimas de uma estrutura machista, de um sistema escolar em que o respeito e o convívio social ruíram, de famílias disfuncionais, da pobreza cultural e econômica. Esses crimes matam também a infância e a vida emocional dos filhos dessas mães assassinadas – muitos dos quais presenciaram o assassinato das mães.
Nos meus 30 anos como psiquiatra especialista em crianças e adolescentes, atendendo e sendo preceptora da residência médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (que atende apenas pacientes do SUS), já me deparei com todo o tipo de barbárie cometida contra esses pacientes. Já atendi filhos de estupro, vítimas de abuso sexual, de maus tratos físicos e psicológicos, autistas graves, deficientes cognitivos.
A psiquiatria não trabalha no salão de espelhos do palácio: ela trabalha no calabouço. Vemos o pior do ser humano. E, na psiquiatria infantil, vemos o sofrimento e a devastação emocional de crianças que podem se tornar adultos aniquilados psiquicamente.
Ao longo dos anos, aprendi que os filhos são das mães. Elas são a única possibilidade que essas crianças – a maioria, vítimas de pais ou homens abusadores – têm de superar traumas, de ter acolhimento, cuidado e amor.
Quem acolherá as crianças cujas mães são vítimas de homens que se sentem donos das mulheres? De homens que se acham no direito de matar essas mulheres quando elas se sentem exauridas dos maus tratos a que são submetidas e decidem dar um basta no sofrimento?
Os órfãos de mães vítimas de feminicídio terão a possibilidade de serem acompanhados por psiquiatras e psicólogos? Ou a possibilidade de ter um futuro com saúde mental também será assassinada?
Com o descaso dos gestores públicos com a saúde mental da população, é muito provável que essas crianças só aumentem a fila dos desassistidos.
Dra. Silzá Tramontina
*Psiquiatra e conselheira do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Cremers vota indicativo de interdição ética do Hospital Universitário de Canoas nesta quarta-feira
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) realiza, nesta quarta-feira (18), reunião plenária extraordinária para votar o indicativo de interdição ética parcial do trabalho médico no Hospital Universitário (HU) de Canoas. A sessão, que será fechada aos conselheiros, terá início às 18h, na sede do Conselho, em Porto Alegre.
Caso o indicativo seja aprovado pelo plenário, a interdição ética poderá ser efetivada, proibindo o trabalho médico em setores críticos como a UTI Neonatal, o Centro Obstétrico e a Internação Pediátrica e impactando o atendimento de uma região que tem o HU Canoas como referência para casos de alta complexidade, especialmente gestações de alto risco.
A votação é um desdobramento da grave situação de precarização do atendimento na instituição, que levou o Cremers a oficiar a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a Secretaria de Saúde de Canoas, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual na sexta-feira (13). Nos documentos, o Conselho alertou para o risco iminente à segurança dos pacientes e a possibilidade de suspender novas internações e atendimentos nos setores críticos.
O indicativo de interdição é resultado de meses de fiscalizações que constataram a persistência de irregularidades graves, como a falta de médicos e de materiais, e a omissão da empresa gestora, a Associação Saúde em Movimento (ASM), em solucionar os problemas. A medida busca proteger a população do que o Cremers classifica como “abandono assistencial institucionalizado” e garantir as condições mínimas para o exercício seguro da Medicina.













