Direitos do paciente e cultura de segurança em debate no Hospital de Clínicas
Um paciente pode participar da decisão médica sobre o seu tratamento? Pode ter acesso ao seu prontuário médico e controlar o compartilhamento de seus dados clínicos? Quais são os direitos do paciente? O assunto, que vem mobilizando a sociedade com a proposição de novas leis e pela discussão de erros médicos, será um dos temas do Simpósio de Cultura de Segurança na Saúde, que acontece no Hospital de Clínicas de Porto Alegre nos dias 28 e 29 de maio.
O recém aprovado Estatuto do Paciente e projetos como a chamada Lei Benício – proposta após a morte, por suposto erro médico, de um menino de seis anos em Manaus – provocam o debate sobre os direitos do paciente e de seus familiares na relação com instituições e profissionais de saúde. No Senado, tramitam propostas para obrigar hospitais a instituir programas de prevenção de erros de medicação e assegurar aos pais o acesso facilitado ao prontuário da criança, além de oferecer acolhimento psicossocial em caso de óbito – atitudes que não foram tomadas no caso do menino.
Entre os palestrantes do Simpósio, estão a especialista em experiência do paciente Kelly Rodrigues, autora de um dos poucos livros nacionais sobre o tema, e Aline Albuquerque, diretora da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente e do Instituto Brasileiro de Direito do Paciente. Ela vai falar sobre como abordar pacientes e familiares após a ocorrência de um erro ou evento adverso na assistência.
Dados nacionais
No Simpósio, também vão ser apresentados os resultados da Avaliação Nacional da Cultura de Segurança do Paciente, realizada pela Anvisa. O levantamento aponta que somente 33% dos hospitais brasileiros adotam uma resposta não punitiva frente aos erros. O Hospital de Clínicas trabalha para promover essa cultura de segurança desde o ano 2000, por meio de iniciativas como checagem à beira-leito, métricas para higienização das mãos e para controle da sepse. Na pesquisa de cultura de segurança do paciente, realizada em 2024, o grau (percepção) dessa cultura foi de 79%.
Avião e pacientes
O evento vai trazer ainda uma oficina com o instrutor de voo Valter Daiello Moreira, que conecta os princípios da aviação com os da saúde e da segurança do paciente.
Cultura de segurança
O Simpósio vai discutir a criação de ambientes onde as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda, admitir que não sabem algo ou comunicar erros abertamente, permitindo que as falhas no sistema contribuam para o aprendizado que vai tornar o sistema de saúde mais seguro. A palestra magna será com Alexander Messager, da Universidade de Ottawa, destaque na revista Forbes por seu trabalho com segurança psicológica em equipes de saúde. Entre os especialistas internacionais, estão Peter Dieckmann, professor associado de Psicologia do Trabalho na Universidade Técnica da Dinamarca; e Colin West, diretor do Programa de Bem-Estar do médico da Mayo Clinic e nomeado, em 2022, o primeiro diretor de Bem-Estar dos funcionários da instituição. As inscrições estão abertas e podem ser feitas neste link.
Texto: Angélica Coronel / Coordenadoria de Comunicação HCPA
Edição: Sílvia Lago
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Evento on-line vai esclarecer dúvidas sobre a nova RDC 1000/2025 da Anvisa
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), em parceria com o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS), vai promover um evento on-line no dia 27 de maio, às 19 horas, com o objetivo de orientar médicos e farmacêuticos sobre as novas diretrizes estabelecidas pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 1000/2025, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Publicada em 11 de dezembro de 2025, a nova norma regulamenta os requisitos de controle para notificações de receita, receitas de controle especial e receitas sujeitas à retenção quando emitidas em meio eletrônico. A resolução traz impactos diretos na rotina de médicos e farmacêuticos, exigindo adaptações tecnológicas e de processos para garantir a segurança e a validade jurídica dos documentos.
O evento pretende criar um espaço de diálogo entre os Conselhos e os profissionais, sanando dúvidas operacionais e técnicas que surgiram desde a publicação do documento. A participação é fundamental para que médicos e farmacêuticos compreendam as exigências do novo sistema e evitem infrações.
O que muda com a RDC 1000/2025?
A RDC 1000/2025 estabelece que a emissão de receituários eletrônicos de controle especial passará a ser realizada exclusivamente por meio de serviços de prescrição integrados ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), cuja interface de programação de aplicações (API) será disponibilizada pela Anvisa. A norma veda a emissão desses documentos por sistemas não integrados à plataforma nacional.
Entre as principais inovações, a resolução traz a obrigatoriedade de assinaturas eletrônicas avançadas ou qualificadas para atestar a autoria e a integridade das prescrições. Além disso, introduz a necessidade de registro de utilização dos receituários eletrônicos no SNCR no momento da dispensação do medicamento, transferindo para a farmácia a responsabilidade de verificar a validade da assinatura e a numeração concedida ao prescritor.
O documento abrange uma ampla gama de receituários, incluindo as notificações de receita dos tipos A, B e B2, as notificações de receita especial para retinoides de uso sistêmico e talidomida, além das receitas de controle especial.
Texto: Sílvia Lago
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Cremers abre inscrições para seminário sobre enfrentamento ao feminicídio e violência contra a mulher
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) abriu inscrições para o seminário “Enfrentamento ao Feminicídio e à Violência contra a Mulher”, que será realizado no dia 26 de maio, às 19h, em Porto Alegre. O evento é destinado a médicos, autoridades, gestores e população em geral, e as inscrições estão disponíveis na plataforma Sympla.
A iniciativa surge em resposta a um cenário alarmante de violência de gênero no Brasil. Conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 1.568 mulheres foram assassinadas em 2025, representando um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação do crime de feminicídio, em 2015, 13.703 mulheres foram mortas por sua condição de ser mulher. No Rio Grande do Sul, o estado já registrava 27 feminicídios até o início de abril de 2026.
A violência contra a mulher é uma grave violação de direitos humanos e um problema de saúde pública que exige ação coordenada de todos os setores da sociedade. Os médicos ocupam uma posição estratégica nessa rede de proteção, sendo frequentemente o primeiro ponto de contato de mulheres em situação de violência com os serviços públicos.
Programação
O seminário contará com uma programação multidisciplinar, reunindo especialistas em saúde mental, justiça criminal, segurança pública e direitos humanos.
O primeiro painel, intitulado ‘O Cenário da Violência e a Rede de Proteção’, será moderado pela segunda-secretária do Cremers, Laís Leboutte, e abordará a realidade da violência contra a mulher, a responsabilização dos agressores e o funcionamento da rede de proteção.
O segundo momento do seminário, ‘Os Impactos na Saúde Mental e como a Sociedade Pode Ajudar’, será moderado pela conselheira Silzá Tramontina. Este painel discutirá os traumas psicológicos decorrentes da violência, a dependência emocional e o papel da sociedade civil na quebra do ciclo de agressão.
No painel ‘Sobre Eles por Elas — O Perfil de Agressores no Sistema Prisional Gaúcho’, serão apresentados resultados da pesquisa desenvolvida pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) sobre o perfil de homens presos por violência contra a mulher.
Para finalizar o evento, no painel ‘O Médico como Agente de Proteção — Apresentação de Recomendações para Médicos’ será apresentado um documento prático que servirá como guia para a classe médica.
Inscrições e Informações
As inscrições estão abertas na plataforma Sympla. O evento é gratuito e aberto a médicos, profissionais de saúde, autoridades, gestores e interessados no tema.
O quê: Enfrentamento ao Feminicídio e à Violência contra a Mulher
Quando: 26/05 (terça), 19h
Onde: Auditório do Cremers, em Porto Alegre
Inscrições: Plataforma Sympla
Texto: Sílvia Lago
Edição: Viviane Schwäger
Cremers debate segurança nas unidades de saúde com Comando de Policiamento da Capital
O Cremers debateu a crescente escalada de violência contra médicos nas unidades de saúde do Rio Grande do Sul durante a Reunião de Diretoria realizada nesta segunda-feira (11). O encontro contou com a presença do comandante de Policiamento da Capital (CPC), coronel Márcio Luiz da Costa Limeira, além de representantes de outras instituições da área da saúde. O objetivo foi estabelecer estratégias conjuntas e protocolos de segurança para proteger os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população.
Durante a reunião, os participantes destacaram que as agressões a médicos, especialmente em serviços de urgência e emergência, têm assumido proporções alarmantes. Os relatos indicam que a violência verbal é a forma mais frequente de agressão, muitas vezes motivada pela superlotação, pela demora nos atendimentos e pela falta de profissionais — problemas estruturais do sistema de saúde que acabam sendo transferidos para a responsabilidade final dos médicos.
O presidente do Cremers, Régis Angnes, caracterizou a situação como uma “epidemia” e destacou a necessidade de conscientização pública: “O médico está na linha de frente para ajudar, não para ser agredido. O grande problema é que o médico tem que resolver tudo lá na ponta e, às vezes, é um cavaleiro solitário”. A corregedora do Cremers, Márcia Vaz, ressaltou a importância de uma análise sobre o problema, apontando que as agressões muitas vezes são reflexo de deficiências estruturais do sistema de saúde. “Temos que pensar de forma mais ampla. A realidade começa pela educação, que é bem difícil de mudar em curto prazo; e temos que pensar também nas questões que envolvem o próprio atendimento médico”, comentou.
O coronel Costa Limeira ressaltou a importância da notificação imediata e do aprimoramento dos registros policiais. Segundo o comandante, é fundamental que haja uma caracterização mais precisa das agressões vinculadas ao exercício profissional nos boletins de ocorrência, permitindo que a Brigada Militar possa atuar de forma mais direcionada. Além disso, foi discutida a necessidade de protocolos de acionamento rápido das forças de segurança, garantindo que a polícia militar intervenha ao menor sinal de escalada de violência, antes mesmo que a agressão ocorra.
O primeiro-secretário do Cremers, Nelson Batezini, destacou a necessidade de formalizar os procedimentos de segurança e a comunicação entre as instituições: “É importante que os diretores técnicos das instituições orientem seus médicos a fazerem o boletim de ocorrência para termos estatísticas”, recomendou.
Para o Cremers, a naturalização da violência verbal e o medo de represálias têm levado à subnotificação dos casos. Muitos médicos optam por não registrar as ocorrências. Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelam que, em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência por agressões a médicos no Brasil, o que representa uma média de 12 profissionais atacados a cada dia.
Ana Paula Freitas, presidente da Abramede-RS, destacou uma perspectiva fundamental sobre prevenção e o papel das equipes de segurança patrimonial nas unidades de saúde. “Os seguranças desses estabelecimentos são responsáveis pelo patrimônio. Esses profissionais precisam entender que são responsáveis pela segurança de todo o local, inclusive das pessoas que ali trabalham”, defendeu.
Também participaram da reunião o diretor da Atenção Hospitalar da Secretaria Municipal da Saúde, David Kerber; o coordenador da Emergência da Secretaria Municipal da Saúde, Fabiano Barrionuevo; o diretor técnico do Hospital da Restinga, Pedro Henrique Comerlato; e a médica Luiza Mumbach.
Texto: Sílvia Lago
Cremers lança recomendações inéditas para padronizar o transporte aeromédico no Rio Grande do Sul
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) lançou um documento inédito com diretrizes técnicas e recomendações para a indicação do transporte aeromédico no estado. A apresentação oficial ocorreu durante o evento “Transporte Aeromédico: Desafios, Avanços e Soluções para o Rio Grande do Sul”, que reuniu especialistas, forças de segurança e gestores públicos para debater a organização do setor. O documento, elaborado pela Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do Conselho, busca padronizar a tomada de decisão médica, garantindo maior segurança aos pacientes e otimização dos recursos disponíveis.
As novas diretrizes foram fundamentadas nas lições aprendidas durante as enchentes históricas de 2024, quando eventos climáticos extremos evidenciaram vulnerabilidades estruturais na resposta a emergências no estado. Durante a Operação Taquari II, a atuação integrada entre equipes médicas e estruturas de apoio logístico demonstrou a relevância vital do suporte aeromédico em cenários de isolamento geográfico. Missões complexas, como o transporte neonatal sob ventilação mecânica, comprovaram que o transporte aéreo, quando inserido em um sistema organizado e baseado em critérios objetivos, é uma ferramenta indispensável para a redução da mortalidade e morbidade em traumas graves e condições tempo-dependentes.
O documento estabelece que a indicação do transporte aeromédico deve ser norteada por três eixos principais de decisão: o critério clínico do paciente, a necessidade de assistência especializada não disponível localmente e a viabilidade logística da operação. A recomendação enfatiza que a simples disponibilidade de uma aeronave não constitui indicação isolada para o seu uso. O fator decisivo deve ser o “tempo-resposta”; ou seja, o transporte aéreo só é justificado quando o deslocamento terrestre exceder de forma clinicamente relevante o tempo necessário para que o paciente receba a intervenção definitiva ou quando houver risco iminente de deterioração clínica em um transporte terrestre prolongado.
Para orientar os profissionais na linha de frente, o Cremers detalhou critérios objetivos de gravidade que justificam o acionamento de aeronaves. Entre os critérios fisiológicos estão sinais clínicos de choque, instabilidade hemodinâmica com necessidade de drogas vasoativas e rebaixamento do nível de consciência. Do ponto de vista anatômico, o documento destaca traumas penetrantes em regiões críticas, amputações proximais e queimaduras extensas. Além disso, condições tempo-dependentes como infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais isquêmicos em janela terapêutica e a necessidade de neurocirurgia emergencial também figuram como prioridades absolutas para o resgate aéreo.
A recomendação também aborda as remoções secundárias (inter-hospitalares), destacando a importância do transporte neonatal, de pacientes pediátricos graves e de adultos dependentes de ventilação mecânica. Por outro lado, o documento estabelece contraindicações claras para o transporte aéreo, como a parada cardiorrespiratória sem retorno da circulação espontânea (considerada contraindicação absoluta) e o pneumotórax não drenado (contraindicação relativa).
Ao lançar estas recomendações, o Cremers reforça que o transporte aeromédico é uma ferramenta complementar ao sistema de saúde e não um substituto para o transporte terrestre. A utilização racional das aeronaves, baseada estritamente em critérios clínicos e em uma articulação assistencial adequada com centrais de regulação e hospitais de referência, é essencial para qualificar o cuidado ao paciente crítico. Com esta iniciativa, o Conselho cumpre seu papel de orientar o exercício seguro da Medicina e convoca gestores públicos a estruturarem uma rede de urgência e emergência cada vez mais preparada para enfrentar os desafios geográficos e climáticos do Rio Grande do Sul.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Clarice Passos
Cremers realiza evento inédito no estado para discutir transporte aeromédico
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) reuniu, nesta quinta-feira (7), especialistas civis e militares para um debate inédito sobre transporte aeromédico no estado, no auditório da autarquia, em Porto Alegre. O encontro “Transporte Aeromédico no Rio Grande do Sul: Desafios, Avanços e Soluções” discutiu a importância desse serviço para salvar vidas e consolidar aprendizados após as enchentes de 2024, quando a Operação Taquari 2 mobilizou um grande esforço de remoção e transporte aéreo de pacientes em situação de calamidade.
Na abertura do evento, o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, ressaltou que o objetivo é melhorar a assistência à saúde no estado a partir das lições deixadas pelas enchentes. “Com a Operação Taquari 2, das Forças Armadas brasileiras para auxiliar o Rio Grande do Sul após as maiores enchentes de sua história, em 2024, conseguimos mitigar muitas mortes. Não podemos deixar que essa expertise se perca e precisamos que o transporte aeromédico no Rio Grande do Sul se torne uma política de Estado”, enfatizou Trindade.
Ao longo da tarde, painéis temáticos abordaram desde as tragédias recentes como oportunidade de aprendizado até o mapeamento da estrutura disponível hoje nas redes pública e privada. Um dos primeiros eixos, “Tragédias como aprendizado / enchentes / Operação Taquari 2”, trouxe relatos de quem esteve na linha de frente do resgate, enfatizando como a integração entre Forças Armadas, Corpo de Bombeiros, gestores públicos e iniciativa privada foi fundamental para organizar o transporte de pacientes em helicópteros e aeronaves. O general de Exército Hertz Pires do Nascimento, que comandou o Comando Operacional Conjunto Taquari 2, participou do debate e ressaltou que essa foi a maior operação militar interagências da história do Brasil e que, na ocasião, todo o país se uniu em prol do RS.
Outro painel, “Modelos de outros estados”, apresentou experiências bem-sucedidas de regiões que já estruturaram serviços de transporte aeromédico, destacando protocolos, financiamento e articulação entre regulação, hospitais e equipes de resgate. Em seguida, o bloco “O que o RS tem?” fez um diagnóstico do cenário gaúcho, com um mapeamento das capacidades instaladas na rede privada e no SUS, evidenciando gargalos, potencial de expansão e necessidade de planejamento integrado.
A capacitação médica também esteve no centro do debate. No painel “O que todo médico precisa saber sobre transporte aeromédico”, especialistas da área apresentaram critérios clínicos para indicação do transporte, limites de distância para remoções terrestres, condições de segurança e requisitos técnicos das equipes que atuam a bordo, reforçando que a UTI aérea é uma extensão do cuidado hospitalar, e não apenas um meio de transporte rápido.
O último painel, intitulado “O que o RS pode fazer”, trouxe propostas para regulamentar o transporte aeromédico, ampliar o uso dessa modalidade e consolidar protocolos que orientem médicos e serviços em situações de rotina e de emergência.
As recomendações apresentadas irão subsidiar a atuação do Cremers na elaboração de normas e na interlocução com autoridades, reforçando o compromisso do Conselho em liderar discussões estratégicas para qualificar a Medicina de Emergência e preparar o Rio Grande do Sul para responder com mais agilidade e segurança a futuros desastres e à demanda cotidiana por remoções complexas.
Encerrando o evento, o vice-presidente Eduardo Neubarth Trindade entregou medalha ao comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do RS, coronel Ricardo Mattei; ao comandante do Batalhão de Aviação da Brigada Militar do RS, tenente-coronel Diego Klein Penha; e ao subcomandante do Quinto Comando Aéreo Regional (V Comar), coronel-aviador Eduardo Fatme Michelin, em reconhecimento à atuação dessas instituições.
Também estiveram presentes a segunda-secretária do Cremers, Laís Leboutte; a tesoureira Mirela Jimenez; a corregedora Márcia Vaz; o subcorregedor Vinícius von Diemen; o membro da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial, Vinícius Ayres; os conselheiros Manoel Trindade, Thiago Dal Bosco, Maria Fernanda Detanico, Fabiano Nagel e Mohamad Hamaoui, além de diversas autoridades civis e militares do país.
Texto: Clarice Passos
Edição: Sílvia Lago
Cremers promove debate sobre Transporte Aeromédico no RS: Desafios, Avanços e Soluções
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) realizará um evento focado no Transporte Aeromédico no RS: Desafios, Avanços e Soluções. O encontro reunirá especialistas civis e militares para discutir a importância dessa modalidade de resgate, com destaque para as lições aprendidas durante a Operação Taquari II, em resposta às trágicas enchentes de 2024 que assolaram o estado. O encontro acontecerá na quinta-feira (7), das 14h às 18h, no auditório do Cremers, em Porto Alegre.
O transporte aeromédico desempenha um papel crucial no sistema de saúde, garantindo agilidade, segurança e suporte avançado de vida, funcionando como uma verdadeira UTI aérea para pacientes críticos. Ao reduzir drasticamente o tempo entre o atendimento inicial e o tratamento definitivo, essa modalidade é essencial em emergências, traumas complexos ou transferências inter-hospitalares. Além disso, supera barreiras geográficas, oferecendo acesso rápido a centros especializados, algo que se mostrou vital durante a calamidade climática no Rio Grande do Sul, quando muitas rodovias e acessos terrestres foram severamente bloqueados pelas águas.
A importância do debate e as lições das enchentes
Durante as enchentes de 2024, a integração entre forças militares, governamentais e iniciativa privada foi fundamental para salvar milhares de vidas. O primeiro painel, intitulado “Tragédias como aprendizado / enchentes / Operação Taquari II”, trará relatos essenciais de quem esteve na linha de frente da crise.
Modelos de outros estados e a realidade gaúcha
O evento também buscará inspiração em experiências de sucesso pelo país no painel “Modelos de outros estados”.
No terceiro painel, intitulado “O que o RS tem?”, será feito um mapeamento detalhado das estruturas privada e pública do estado.
Conhecimento médico e os próximos passos
Para capacitar ainda mais os profissionais da saúde, o quarto painel abordará “O que todo médico precisa saber sobre transporte aeromédico”.
Encerrando o evento, uma mesa redonda debaterá “O que o RS pode fazer?”. Neste espaço estratégico, serão apresentadas sugestões dos especialistas e as recomendações do Cremers para o futuro do transporte aeromédico no estado, consolidando os aprendizados do encontro.
O evento reforça o compromisso do Cremers em liderar discussões vitais para a saúde pública e a Medicina de Emergência, assegurando que o Rio Grande do Sul esteja cada vez mais preparado para enfrentar desafios e salvar vidas, seja no cotidiano ou em situações de extrema adversidade, como as vivenciadas em 2024.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Viviane Schwäger
Cremers promove palestra sobre trabalho, dignidade e bem-estar em alusão ao Dia do Trabalhador
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) realizou, nesta quarta-feira (29), um encontro especial para seus colaboradores em referência ao Dia do Trabalhador. A atividade contou com a palestra “Trabalho, dignidade e bem-estar na organização”, ministrada pela advogada Alessandra Pisoni, integrante da Comissão Especial da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul (OAB-RS), e pelo advogado trabalhista João Victor Moura Messias.
Na abertura do evento, a segunda-secretária do Cremers, Laís Leboutte, fez um histórico da data, que surgiu em memória de uma greve geral realizada em Chicago no final do século XIX, e ressaltou que passamos grande parte da vida no ambiente de trabalho. “Por isso, é absolutamente essencial que este seja um espaço não apenas de produtividade, mas de respeito, de acolhimento e de promoção da saúde física e mental”, afirmou.
A palestra propôs uma reflexão sobre aspectos que impactam diretamente a vida profissional, como a valorização do trabalho, a saúde e a qualidade de vida no ambiente organizacional, além da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
O evento foi destinado a funcionários, terceirizados, temporários e estagiários do Cremers, reforçando o compromisso da instituição com o bem-estar e a integração de suas equipes. Após a palestra, os participantes foram convidados para um coffee break de confraternização.
Texto: Clarice Passos
Edição: Viviane Schwäger
A ilusão do curso de Medicina e a realidade da saúde em Bagé
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) alerta a população de Bagé sobre a moção de apoio apresentada por vereadores para criar um curso de Medicina na Unipampa. O que os políticos tentam vender como uma grande conquista para a cidade é, na verdade, uma promessa eleitoreira que ignora a triste realidade da saúde local.
A ideia de que abrir uma faculdade de Medicina vai resolver a falta de especialistas ou acabar com as viagens de pacientes em busca de tratamento é uma ilusão. Para formar um bom médico, é preciso ter hospitais bem equipados, profissionais qualificados para ensinar e uma rede de saúde que funcione. A realidade de Bagé é o oposto: postos de saúde sem medicações básicas, falta de especialistas no SUS e médicos trabalhando em condições precárias.
O caso mais grave é o da Santa Casa de Caridade de Bagé. Como pensar em abrir uma faculdade de Medicina quando o principal hospital da cidade está afundado em uma crise financeira sem precedentes? Se a prefeitura não consegue ajudar a manter as portas da Santa Casa abertas para a população, como pretende sustentar a estrutura complexa exigida por um curso de Medicina?
A desculpa de que “faltam médicos” também não se sustenta. O Rio Grande do Sul teve um aumento de 51% no número de médicos nos últimos 13 anos. Hoje, o estado tem 3,42 médicos para cada mil habitantes — um número maior que a média nacional e acima do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema real não é a falta de médicos, mas sim a falta de estrutura e de condições de trabalho para que os profissionais permaneçam no interior.
Criar cursos de Medicina sem estrutura só traz prejuízos para a população – 78% das cidades que abrem essas faculdades não têm leitos suficientes nem hospitais adequados para o ensino. O resultado dessa irresponsabilidade é a formação de médicos inseguros, que acabam pedindo exames desnecessários e colocando a saúde dos pacientes em risco.
O Cremers vai tomar todas as medidas necessárias para barrar a criação de mais essa faculdade sem estrutura, defendendo sempre o que mais importa: o atendimento seguro e de qualidade para a população.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Cremers volta a discutir novas formas de combater e prevenir o feminicídio no RS em reunião de grupo interinstitucional

A psiquiatra e conselheira do Cremers, Silzá Tramontina, integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho, participou de nova reunião do Comitê Interinstitucional responsável pela elaboração de um diagnóstico técnico-científico sobre o fenômeno social dos feminicídios no Rio Grande do Sul.
O grupo, instituído em fevereiro pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio Grande do Sul (OAB/RS), conta com a participação de lideranças das principais instituições do poder público gaúcho e tem como objetivo discutir e propor soluções para a prevenção à violência contra a mulher e para o combate ao feminicídio no estado.
Nas reuniões são apresentados dados, análises e perspectivas de diferentes áreas do conhecimento, capazes de subsidiar estratégias efetivas de enfrentamento à violência contra a mulher. “Estamos dando continuidade a esse trabalho que iniciamos, principalmente, para que pontos de vista de diferentes instituições contribuam, de forma interdisciplinar, com medidas propositivas sob uma ótica técnica”, declarou ao início da reunião a vice-presidente da OAB/RS, Claridê Chitolina Taffarel.
“Precisamos estar atentos a todas as formas de ajudar e pensar também nas escolas, na educação, pois os filhos dessas mulheres também buscam ajuda através de seus professores”, salientou Tramontina. “Essas mulheres precisam ter uma rede de apoio e de confiança sólida; se for sempre o mesmo médico que fizer o atendimento lá na Atenção Básica, por exemplo, é muito mais fácil a paciente pedir ajuda”, declarou.
Foram reconhecidos e compartilhados exemplos de ações de prevenção à violência contra a mulher e de conscientização da população sobre o feminicídio como o projeto “OAB nas Escolas”, “Papo Responsa” e “Libertar” (Polícia Civil), “Universo MPRS – Superpoder é Denunciar” (Ministério Público), instalação de salas de acolhimento às vítimas e botões de pânico, entre outras iniciativas.
Próximas ações
O Comitê convidará, em maio, a Secretaria Estadual de Educação, o Tribunal de Contas do Estado e a Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) para uma nova fase de reuniões. Ações itinerantes pelo interior do Rio Grande do Sul deverão ser elaboradas e planejadas com sugestões como intervenções em escolas municipais, unidades de saúde e locais públicos.
O Cremers acompanha o tema que ganha cada vez mais relevância diante dos dados crescentes de agressões e mortes motivadas por violência de gênero. O Escuta o Conselho, videocast do Cremers, lançou episódio especial, em fevereiro, disponível no Youtube. Clique aqui para assistir.
Também participaram da reunião do Comitê Interinstitucional representantes da Caixa de Assistência ao Advogado da OAB/RS; do Tribunal de Justiça do RS; do Ministério Público; da Defensoria Pública; da Polícia Civil; do Conselho Regional de Psicologia; e do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Texto: Letícia Bonato
Edição: Sílvia Lago





















