Cremers promove debate sobre Transporte Aeromédico no RS: Desafios, Avanços e Soluções
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) realizará um evento focado no Transporte Aeromédico no RS: Desafios, Avanços e Soluções. O encontro reunirá especialistas civis e militares para discutir a importância dessa modalidade de resgate, com destaque para as lições aprendidas durante a Operação Taquari II, em resposta às trágicas enchentes de 2024 que assolaram o estado. O encontro acontecerá na quinta-feira (7), das 14h às 18h, no auditório do Cremers, em Porto Alegre.
O transporte aeromédico desempenha um papel crucial no sistema de saúde, garantindo agilidade, segurança e suporte avançado de vida, funcionando como uma verdadeira UTI aérea para pacientes críticos. Ao reduzir drasticamente o tempo entre o atendimento inicial e o tratamento definitivo, essa modalidade é essencial em emergências, traumas complexos ou transferências inter-hospitalares. Além disso, supera barreiras geográficas, oferecendo acesso rápido a centros especializados, algo que se mostrou vital durante a calamidade climática no Rio Grande do Sul, quando muitas rodovias e acessos terrestres foram severamente bloqueados pelas águas.
A importância do debate e as lições das enchentes
Durante as enchentes de 2024, a integração entre forças militares, governamentais e iniciativa privada foi fundamental para salvar milhares de vidas. O primeiro painel, intitulado “Tragédias como aprendizado / enchentes / Operação Taquari II”, trará relatos essenciais de quem esteve na linha de frente da crise.
Modelos de outros estados e a realidade gaúcha
O evento também buscará inspiração em experiências de sucesso pelo país no painel “Modelos de outros estados”.
No terceiro painel, intitulado “O que o RS tem?”, será feito um mapeamento detalhado das estruturas privada e pública do estado.
Conhecimento médico e os próximos passos
Para capacitar ainda mais os profissionais da saúde, o quarto painel abordará “O que todo médico precisa saber sobre transporte aeromédico”.
Encerrando o evento, uma mesa redonda debaterá “O que o RS pode fazer?”. Neste espaço estratégico, serão apresentadas sugestões dos especialistas e as recomendações do Cremers para o futuro do transporte aeromédico no estado, consolidando os aprendizados do encontro.
O evento reforça o compromisso do Cremers em liderar discussões vitais para a saúde pública e a Medicina de Emergência, assegurando que o Rio Grande do Sul esteja cada vez mais preparado para enfrentar desafios e salvar vidas, seja no cotidiano ou em situações de extrema adversidade, como as vivenciadas em 2024.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Viviane Schwäger
Cremers promove palestra sobre trabalho, dignidade e bem-estar em alusão ao Dia do Trabalhador
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) realizou, nesta quarta-feira (29), um encontro especial para seus colaboradores em referência ao Dia do Trabalhador. A atividade contou com a palestra “Trabalho, dignidade e bem-estar na organização”, ministrada pela advogada Alessandra Pisoni, integrante da Comissão Especial da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul (OAB-RS), e pelo advogado trabalhista João Victor Moura Messias.
Na abertura do evento, a segunda-secretária do Cremers, Laís Leboutte, fez um histórico da data, que surgiu em memória de uma greve geral realizada em Chicago no final do século XIX, e ressaltou que passamos grande parte da vida no ambiente de trabalho. “Por isso, é absolutamente essencial que este seja um espaço não apenas de produtividade, mas de respeito, de acolhimento e de promoção da saúde física e mental”, afirmou.
A palestra propôs uma reflexão sobre aspectos que impactam diretamente a vida profissional, como a valorização do trabalho, a saúde e a qualidade de vida no ambiente organizacional, além da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
O evento foi destinado a funcionários, terceirizados, temporários e estagiários do Cremers, reforçando o compromisso da instituição com o bem-estar e a integração de suas equipes. Após a palestra, os participantes foram convidados para um coffee break de confraternização.
Texto: Clarice Passos
Edição: Viviane Schwäger
A ilusão do curso de Medicina e a realidade da saúde em Bagé
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) alerta a população de Bagé sobre a moção de apoio apresentada por vereadores para criar um curso de Medicina na Unipampa. O que os políticos tentam vender como uma grande conquista para a cidade é, na verdade, uma promessa eleitoreira que ignora a triste realidade da saúde local.
A ideia de que abrir uma faculdade de Medicina vai resolver a falta de especialistas ou acabar com as viagens de pacientes em busca de tratamento é uma ilusão. Para formar um bom médico, é preciso ter hospitais bem equipados, profissionais qualificados para ensinar e uma rede de saúde que funcione. A realidade de Bagé é o oposto: postos de saúde sem medicações básicas, falta de especialistas no SUS e médicos trabalhando em condições precárias.
O caso mais grave é o da Santa Casa de Caridade de Bagé. Como pensar em abrir uma faculdade de Medicina quando o principal hospital da cidade está afundado em uma crise financeira sem precedentes? Se a prefeitura não consegue ajudar a manter as portas da Santa Casa abertas para a população, como pretende sustentar a estrutura complexa exigida por um curso de Medicina?
A desculpa de que “faltam médicos” também não se sustenta. O Rio Grande do Sul teve um aumento de 51% no número de médicos nos últimos 13 anos. Hoje, o estado tem 3,42 médicos para cada mil habitantes — um número maior que a média nacional e acima do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema real não é a falta de médicos, mas sim a falta de estrutura e de condições de trabalho para que os profissionais permaneçam no interior.
Criar cursos de Medicina sem estrutura só traz prejuízos para a população – 78% das cidades que abrem essas faculdades não têm leitos suficientes nem hospitais adequados para o ensino. O resultado dessa irresponsabilidade é a formação de médicos inseguros, que acabam pedindo exames desnecessários e colocando a saúde dos pacientes em risco.
O Cremers vai tomar todas as medidas necessárias para barrar a criação de mais essa faculdade sem estrutura, defendendo sempre o que mais importa: o atendimento seguro e de qualidade para a população.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Cremers volta a discutir novas formas de combater e prevenir o feminicídio no RS em reunião de grupo interinstitucional

A psiquiatra e conselheira do Cremers, Silzá Tramontina, integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho, participou de nova reunião do Comitê Interinstitucional responsável pela elaboração de um diagnóstico técnico-científico sobre o fenômeno social dos feminicídios no Rio Grande do Sul.
O grupo, instituído em fevereiro pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio Grande do Sul (OAB/RS), conta com a participação de lideranças das principais instituições do poder público gaúcho e tem como objetivo discutir e propor soluções para a prevenção à violência contra a mulher e para o combate ao feminicídio no estado.
Nas reuniões são apresentados dados, análises e perspectivas de diferentes áreas do conhecimento, capazes de subsidiar estratégias efetivas de enfrentamento à violência contra a mulher. “Estamos dando continuidade a esse trabalho que iniciamos, principalmente, para que pontos de vista de diferentes instituições contribuam, de forma interdisciplinar, com medidas propositivas sob uma ótica técnica”, declarou ao início da reunião a vice-presidente da OAB/RS, Claridê Chitolina Taffarel.
“Precisamos estar atentos a todas as formas de ajudar e pensar também nas escolas, na educação, pois os filhos dessas mulheres também buscam ajuda através de seus professores”, salientou Tramontina. “Essas mulheres precisam ter uma rede de apoio e de confiança sólida; se for sempre o mesmo médico que fizer o atendimento lá na Atenção Básica, por exemplo, é muito mais fácil a paciente pedir ajuda”, declarou.
Foram reconhecidos e compartilhados exemplos de ações de prevenção à violência contra a mulher e de conscientização da população sobre o feminicídio como o projeto “OAB nas Escolas”, “Papo Responsa” e “Libertar” (Polícia Civil), “Universo MPRS – Superpoder é Denunciar” (Ministério Público), instalação de salas de acolhimento às vítimas e botões de pânico, entre outras iniciativas.
Próximas ações
O Comitê convidará, em maio, a Secretaria Estadual de Educação, o Tribunal de Contas do Estado e a Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) para uma nova fase de reuniões. Ações itinerantes pelo interior do Rio Grande do Sul deverão ser elaboradas e planejadas com sugestões como intervenções em escolas municipais, unidades de saúde e locais públicos.
O Cremers acompanha o tema que ganha cada vez mais relevância diante dos dados crescentes de agressões e mortes motivadas por violência de gênero. O Escuta o Conselho, videocast do Cremers, lançou episódio especial, em fevereiro, disponível no Youtube. Clique aqui para assistir.
Também participaram da reunião do Comitê Interinstitucional representantes da Caixa de Assistência ao Advogado da OAB/RS; do Tribunal de Justiça do RS; do Ministério Público; da Defensoria Pública; da Polícia Civil; do Conselho Regional de Psicologia; e do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Texto: Letícia Bonato
Edição: Sílvia Lago
RESOLUÇÃO COMISSÃO TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
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Resolucao CREMERS FRONTEIRIÇOS
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Cremers inaugura nova sede da Delegacia Seccional de Passo Fundo
Em uma cerimônia marcada pelo estreitamento dos laços com a comunidade médica do interior, o Cremers inaugurou, na sexta-feira (17), a nova sede da Delegacia Seccional em Passo Fundo. Localizado na Rua Paissandú, 1718, Sala 01, no Bairro Centro, o novo espaço foi projetado para oferecer um atendimento mais ágil e acolhedor aos médicos e à população da Região Norte do estado.
O evento reuniu médicos, autoridades locais e representantes do Conselho. O ponto alto da solenidade foi o descerramento da placa comemorativa, que oficializou a entrega das novas instalações.
Em seu discurso, o presidente do Cremers, Régis Angnes, lembrou que Passo Fundo é a sexta maior economia do Rio Grande do Sul e consolida-se como um verdadeiro polo médico-hospitalar. Atraindo pacientes de diversas localidades para atendimentos de média e alta complexidade em instituições de referência, o município abriga uma expressiva população médica que necessita de suporte institucional próximo e eficiente.
O coordenador das Delegacias Seccionais do Cremers, Jaber Saleh, também fez uso da palavra para explicar as múltiplas funções do novo espaço. Ele enfatizou que o local não facilitará apenas o acesso do médico aos serviços do Conselho, mas também atuará como um ponto de atendimento e ouvidoria para os médicos e a população.
“Este espaço faz parte de um plano de interiorização do Cremers, reforçando o papel judicante, fiscalizador e cartorial”, pontuou Saleh, estendendo o convite para que toda a comunidade conheça as novas instalações.
Durante a inauguração, o delegado seccional de Passo Fundo, Nilton Bonadeo, destacou a importância regional da presença do Cremers com sede fixada no município. Em sua fala, ele ressaltou que a Delegacia estará de “portas abertas” para atender aos colegas.
“A função do Cremers é proteger a boa Medicina. A intenção da atual gestão é a interiorização, recebendo de braços abertos o médico que atua no interior do estado”, afirmou.
A nova Delegacia Seccional de Passo Fundo soma-se às outras cinco representações estratégicas do Cremers no interior gaúcho: Caxias do Sul, Ijuí, Novo Hamburgo, Pelotas e Santa Maria. Nestes locais, os médicos podem realizar serviços essenciais de forma descentralizada, como a retirada do registro profissional, o cadastro biométrico e a emissão da cédula de identidade médica em cartão com chip – requisitos fundamentais para a certificação digital obrigatória.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Letícia Bonato
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Cremers estreia projeto de Educação Médica Continuada no Youtube com aula sobre Declaração de Óbito
Nesta terça-feira (14), às 19h, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) estreia seu novo projeto de Educação Médica Continuada no canal oficial do Conselho no YouTube. A iniciativa traz uma série de vídeos ministrados por conselheiros e especialistas para a atualização profissional de médicos atuantes no mercado.
O primeiro episódio traz a corregedora do Cremers, Márcia Vaz, abordando “Declaração de Óbito: Orientações Essenciais”. Com base na Resolução CFM 1779/2005 e no Manual de Instruções do Ministério da Saúde, a aula esclarece fluxos para mortes naturais e violentas, preenchimento correto dos nove blocos da DO e erros comuns que podem configurar prevaricação.
Formato pensado para médicos em atividade
A série terá recorrência quinzenal, sempre às terças-feiras, 19h, com temas rotativos de especialidades médicas, ética profissional e atualizações regulatórias. Toda a produção é interna da Assessoria de Comunicação do Cremers, garantindo conteúdo gratuito, técnico e diretamente aplicável à prática diária de médicos.
“Educação continuada não é opcional, é uma obrigação ética para quem lida com vidas o tempo inteiro. Esperamos que os médicos registrados possam fazer bom uso de mais essa iniciativa do Cremers”, destacou o presidente Régis Angnes.
Para acompanhar, inscreva-se no canal (youtube.com/cremersoficial) e ative as notificações.
Texto: Letícia Bonato
Edição: Sílvia Lago
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Cremers inaugura nova sede da Delegacia Seccional de Passo Fundo no dia 17 de abril
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) inaugura, no dia 17 de abril, às 11 horas, a nova sede da Delegacia Seccional de Passo Fundo. O espaço, localizado na Rua Paissandú, 1718, Sala 01, no Bairro Centro, oferecerá um ambiente mais amplo, moderno e bem equipado para o atendimento aos médicos da Região Norte do estado. O evento contará com a presença de conselheiros, médicos locais e autoridades da área da saúde.
A inauguração da nova estrutura reforça o compromisso do Cremers em descentralizar serviços e manter uma representatividade atuante no interior do Rio Grande do Sul. A cidade, que se destaca como um polo médico-hospitalar, com instituições de referência, como o Hospital de Clínicas de Passo Fundo e o Hospital São Vicente de Paulo, demanda uma presença institucional do Conselho.
O novo endereço facilitará ainda mais o acesso aos serviços essenciais para o exercício da Medicina. Nas Delegacias Seccionais do Cremers, os médicos podem realizar diversos procedimentos de forma ágil e próxima aos seus locais de trabalho. Entre os serviços oferecidos estão a retirada do registro profissional, a realização do cadastro biométrico e a emissão da cédula de identidade médica. Estes documentos são pré-requisitos para a solicitação da certificação digital, que é obrigatória para a prescrição de receitas, exames e atestados de forma on-line.
A proximidade do Cremers com os médicos do interior é importante para a prestação de serviços administrativos e para o fortalecimento da ética médica e da defesa das prerrogativas da profissão.
Serviço
O quê: Inauguração da nova Delegacia Seccional de Passo Fundo
Quando: Sexta (17), 11 horas
Onde: Rua Paissandú, 1718 / Sala 01, Bairro Centro
Texto: Sílvia Lago
Edição: Letícia Bonato
Artigo “Mais é melhor?”, no Estadão
Parasitária. Essa palavra define a prática de abertura desenfreada de escolas e vagas médicas no Brasil. A ganância de universidades, políticos, mantenedoras e outros interessados nas gordas mensalidades garantidas por cursos de Medicina remete à imagem de uma sanguessuga que desconhece limites, alimentando-se sem parar até estourar.
Não basta o Brasil ter ultrapassado 50 mil vagas anuais em Medicina. Ainda querem mais. Num universo no qual temos quase tantas faculdades quanto a Índia — país com mais de 1,4 bilhão de habitantes —, insiste-se em ampliar o número de cursos.
Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, 77 novos cursos foram autorizados, somando 4.412 novas vagas, quase todas em instituições privadas. E querem mais.
A natalidade médica cresceu em ritmo muito superior ao crescimento da população brasileira. Temos quase três médicos por mil habitantes, índice superior ao de países como Estados Unidos e Japão. Em tese, estaria sobrando médico. Ótimo.
Seria ótimo ainda se esses profissionais não permanecessem concentrados nos grandes centros e tivessem meios reais de atuar nas regiões onde, de fato, faltam médicos. Ou alguém ainda acredita na falácia de que abrir uma faculdade no interior resolve o problema da assistência? Está mais do que comprovado que o médico formado em municípios pequenos, assim que tem oportunidade, migra para locais com melhores condições de trabalho, infraestrutura e segurança profissional. Não existe promessa de prefeito que disfarce essa realidade.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que o Ministério da Educação (MEC) é a única entidade competente para decidir sobre a abertura de faculdades de Medicina.
A decisão freia a prática de liminares judiciais que determinavam, de forma arbitrária, a criação de cursos e a ampliação de vagas. Em tese, a situação deveria se organizar. Ótimo.
Seria ótimo se o próprio MEC não tivesse se transformado num balcão de negócios. Levantamento do Conselho Federal de Medicina demonstrou que quase 80% das cidades com cursos de Medicina não dispõem da estrutura mínima exigida, como hospitais de ensino e número adequado de leitos do SUS. Ainda assim, o MEC continua autorizando cursos e vagas, enquanto os campos de prática seguem saturados. Os dados falam por si.
Recentemente, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira divulgou os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os números são alarmantes: cerca de 30% dos cursos avaliados obtiveram desempenho considerado insatisfatório, e mais de uma centena de escolas poderá sofrer medidas de supervisão e restrição. O próprio Estado brasileiro reconhece, ainda que tardiamente, que uma parcela das faculdades de Medicina não forma médicos minimamente aptos.
Esses médicos recém-formados, com formação precária e treinamento insuficiente, acabam ocupando os postos mais sensíveis do sistema: emergências e atenção básica.
Locais que exigem alto grau de preparo técnico, maturidade emocional e capacidade de raciocínio clínico. Médico de posto de saúde não trata apenas “dor de barriga”; ele ocupa posição estratégica no cuidado longitudinal, na triagem de risco e na coordenação do cuidado.
Como esperar profissionais resolutivos se o próprio sistema forma médicos com déficit cognitivo, excessivamente dependentes de aplicativos, protocolos automáticos e inteligência artificial? Médicos baratos para gestores e intermediadores do trabalho médico, mas incapazes de realizar uma anamnese consistente sem apoio digital. O resultado aparece nos Conselhos Regionais de Medicina: crescimento de denúncias e processos envolvendo profissionais recém-formados, reflexo direto de um ensino deficiente.
Nada disso é novidade na história da educação médica. No início do século 20, os Estados Unidos enfrentaram problema semelhante. A resposta veio com o Relatório Flexner. Em 1910, o documento recomendou fechamento de escolas de baixa qualidade, vinculação obrigatória a universidades e hospitais de ensino, currículos baseados em ciência e avaliação rigorosa. O resultado foi claro: menos escolas, menos médicos — e médicos muito melhores.
O Brasil parece determinado a repetir o erro histórico que outros países já corrigiram. O médico barato, mal formado e produzido em massa não reduz custos: aumenta o gasto público, eleva o risco assistencial e compromete a segurança do paciente. É urgente interromper essa lógica predatória: formar menos médicos, fechar faculdades sem estrutura, limitar vagas e vincular a abertura de cursos à existência de hospitais e programas de residência médica.
Mais urgente é que a sociedade compreenda que não basta “ter médico”. Atendimento de qualidade exige estrutura, equipes completas e profissionais bem formados. Sem isso, o que se multiplica não é o cuidado — é o dano. A pergunta permanece atual e incômoda: mais é melhor?
Eduardo Neubarth Trindade
Vice-presidente do Cremers












