Cremers recebe médico agredido em UPA de Novo Hamburgo durante plantão
A Diretoria do Cremers recebeu, na tarde desta sexta (27), o médico Rubem Antonio Citton Júnior, que foi agredido por guardas municipais na UPA Centro, de Novo Hamburgo, em mais um caso absurdo de violência contra médicos.
O Cremers ouviu e acolheu o profissional, que relatou os fatos. “Fui torturado no meu ambiente de trabalho, na frente de pacientes e colegas. Não se pode viver em um país em que a população é colocada contra os médicos. Não quero ser mais um. Não quero que essa história se repita”, desabafou.
A procuradora Carla Bello explicou que o Cremers vai entrar com representação junto ao Ministério Público do Estado (MP-RS), à Prefeitura de Novo Hamburgo, à Corregedoria da Guarda Municipal e à Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, denunciando os crimes de abuso de autoridade, lesão corporal e prevaricação cometidos pelos agentes da Guarda Municipal.
O presidente do Cremers, Régis Angnes, relatou que o Departamento de Fiscalização (Defis) estava na unidade de saúde para verificar as condições de trabalho e de segurança do local.
O vice-presidente Eduardo Neubarth Trindade disse que “os médicos não podem ser atacados e as instituições médicas não podem deixar a violência passar de forma incólume”.
Também estavam presentes a tesoureira Mirela Jimenez, a corregedora Márcia Vaz e o coordenador do Defis, Luciano Haas.
Texto: Sílvia Lago
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Cremers fiscaliza a UPA Centro de Novo Hamburgo após violência contra médico
O Departamento de Fiscalização (Defis) do Cremers esteve, nesta sexta-feira (27), na UPA Centro, em Novo Hamburgo, para verificar de perto as condições de atendimento e de trabalho na unidade de saúde.
A ação foi motivada pelo grave episódio registrado na noite de quinta-feira (26), quando um médico foi algemado e conduzido à Delegacia por agentes da Guarda Municipal durante o exercício profissional.
O caso acendeu um alerta sobre a segurança nas unidades de saúde e a necessidade de garantir o pleno exercício da Medicina sem interferências indevidas. “Ontem, a perda não foi apenas da classe médica, mas de toda a sociedade”, afirmou o conselheiro Thiago Dal Bosco, do Defis.
Durante a vistoria, foram avaliadas as escalas médicas, o quantitativo de medicamentos e as condições de segurança dos profissionais, aspectos fundamentais para assegurar o atendimento adequado da população.
Texto: Samuel Morais (com supervisão de Sílvia Lago)
Cremers entra com representação no Ministério Público contra abuso de autoridade em Novo Hamburgo
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) formalizou, nesta sexta-feira (27), representação junto ao Ministério Público do Estado (MP-RS), à Prefeitura de Novo Hamburgo, à Corregedoria da Guarda Municipal e à Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, denunciando os crimes de abuso de autoridade, lesão corporal e prevaricação cometidos por agentes da Guarda Municipal contra médico na UPA Centro na noite de 26 de março.
O documento detalha a sequência de eventos que culminou na prisão arbitrária e na agressão física contra o médico. A representação fundamenta-se em evidências que comprovam o uso desproporcional de força e a violação de direitos humanos fundamentais.
A atuação dos guardas municipais violou as prerrogativas profissionais do médico e interrompeu serviço público essencial de saúde. A retirada forçada do médico da UPA durante o plantão colocou em risco a vida dos pacientes que aguardavam atendimento, além dos que aguardavam reavaliação e exames.
Para o presidente do Cremers, Régis Angnes, a falta de segurança e de infraestrutura da unidade de saúde não podem ter sua responsabilidade transferida para o profissional que tentava realizar o seu trabalho atendendo os pacientes.
Medidas urgentes e fiscalização
Além de requerer às autoridades a instauração de investigação para apurar a responsabilidade dos agentes da Guarda Municipal pelos crimes apontados, o Cremers fiscalizou, ainda nesta sexta-feira (27), a UPA Centro de Novo Hamburgo para verificar as condições de trabalho e de segurança no local.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Viviane Schwäger
Foto: Tiago Coutinho/Imprensa MPRS
A Medicina e os médicos não podem ser agredidos
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifesta o veemente repúdio ao inaceitável episódio de violência ocorrido na noite de quinta-feira (26), na UPA Centro, em Novo Hamburgo, onde um médico no pleno exercício da profissão foi brutalmente algemado e conduzido à Delegacia por agentes da Guarda Municipal que agiram com claro abuso de autoridade.
A Medicina e os médicos não podem ser agredidos. É absolutamente inadmissível que o médico, dedicado ao atendimento das pessoas daquela comunidade, seja humilhado e tratado como criminoso em seu próprio ambiente de trabalho.
O sucateamento das unidades de pronto atendimento, a superlotação e a falta de segurança e de infraestrutura não podem, sob hipótese nenhuma, ter sua responsabilidade transferida para as costas de quem está na linha de frente. Os pacientes presentes na UPA, testemunhas do abuso, pediam pela libertação do médico, reconhecendo a injustiça cometida.
O Cremers exige da Prefeitura de Novo Hamburgo, da Secretaria Municipal de Segurança Pública e das autoridades competentes uma apuração rigorosa, célere e transparente dos gravíssimos excessos cometidos pela Guarda Municipal, que agiu de forma abusiva e arbitrária, causando desassistência e risco aos pacientes.
O Conselho já está acompanhando o caso, apresentou representação ao Ministério Público do Estado e vai utilizar todo o peso da instituição para coibir toda forma de violência e punir os responsáveis.
Garantir a segurança e a dignidade do médico é requisito fundamental para assegurar o direito à saúde da população.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Relatório e contas do Cremers de 2025 são aprovados em assembleia geral
A assembleia geral dos médicos do RS, reunida no dia 25 de março, com primeira chamada às 17h30min e segunda às 18h, aprovou, por unanimidade, o relatório de atividades e o balanço financeiro do Cremers referentes ao ano de 2025.
A convocação foi publicada em 23 de fevereiro no Jornal do Comércio e no Diário Oficial da União.
O presidente Régis Angnes conduziu a sessão. O relatório de prestação de contas foi lido pela tesoureira Mirela Jimenez e, em seguida, aprovado.
Texto: Viviane Schwäger
Edição: Sílvia Lago
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Abertura de curso de Medicina em Bagé: uma decisão populista que ignora a realidade da saúde local e a qualidade do ensino
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifesta profunda preocupação com a recente autorização do Ministério da Educação (MEC) para a criação de um novo curso de Medicina no campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Bagé.
A medida, celebrada como uma conquista, trata-se de uma decisão populista e contraditória do governo federal, que ignora tanto a grave crise estrutural da saúde no município quanto os alarmantes resultados recentes do Enamed.
A abertura de uma faculdade de Medicina exige uma rede de saúde estruturada capaz de oferecer campos de prática adequados, preceptoria qualificada e hospitais-escola equipados.
A realidade de Bagé caminha na direção oposta.
O município enfrenta uma crise sanitária, marcada pela escassez de médicos especialistas no SUS, falta de insumos básicos nas unidades de pronto atendimento e atrasos salariais para os médicos que atuam na cidade, muitos deles trabalhando sem vínculo formal.
Que espécie de formação médica pode ser oferecida em um ambiente onde faltam desde medicamentos básicos até condições mínimas de trabalho para os profissionais já estabelecidos?
Os resultados da primeira edição do Enamed corroboram o alerta que o Cremers vem fazendo há anos sobre a precarização do ensino. Mas a aprovação do curso na Unipampa demonstra que critérios políticos continuam a se sobrepor a critérios técnicos e acadêmicos.
A solução para a assistência médica no interior não passa pela formação em massa e sem qualidade, mas sim por políticas de valorização profissional, planos de carreira consistentes e financiamento adequado do SUS.
A vida da população não pode ser colocada em risco por profissionais formados em escala industrial, sem qualificação real. É imperativo que o MEC reveja sua postura e que as autoridades locais concentrem seus esforços em resolver a crise atual da saúde em Bagé.
O Cremers vai tomar medidas judiciais e extrajudiciais para barrar a criação de mais essa faculdade de Medicina no estado.
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)
Banalização da Medicina: Quem ganha com isso?
Dr. Eduardo Neubarth Trindade
A Medicina brasileira vive um processo perigoso de banalização. Vende-se a ideia de que ampliar indiscriminadamente cursos, multiplicar vínculos frágeis e submeter o ato médico à lógica de metas seria modernização. Não é. Em muitos casos, trata-se apenas da transformação da saúde em negócio — e de um negócio altamente lucrativo para quem intermedeia, controla ou explora o trabalho médico.
A abertura desenfreada de faculdades de Medicina, intensificada desde 2013, beneficiou sobretudo grupos educacionais. O crescimento das vagas privadas foi muito superior ao das públicas, sem a correspondente garantia de hospital de ensino, leitos, preceptoria e campos de prática. O resultado começa a aparecer de forma objetiva: o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) expôs desempenho insatisfatório em parcela relevante dos cursos, mostrando que a expansão quantitativa não foi acompanhada da necessária qualidade formativa. Formar mais, sem formar bem, não democratiza a Medicina; a precariza. E quem paga a conta, mais cedo ou mais tarde, é o paciente.
No mercado de trabalho, a pejotização e os contratos temporários fragilizaram a relação entre médico, serviço e comunidade, especialmente no setor público. Onde deveria haver vínculo, continuidade e responsabilização sanitária, instala-se a rotatividade. O médico passa a ser tratado como peça substituível; o paciente, como número; e a comunidade perde a referência de quem a acompanha, conhece sua história e responde por seu cuidado.
Na saúde suplementar e também no SUS, o cenário se agrava quando o médico é espremido por metas, protocolos impostos e restrições administrativas que corroem sua autonomia. Cresce o poder dos intermediadores do trabalho médico — operadoras, terceirizadas, plataformas e gestores — e diminui o espaço da decisão clínica centrada no paciente.
A pergunta, então, é simples: quem se beneficia da banalização da Medicina? Certamente não é a sociedade.
Médico. Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers). Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Cremers prestigia posse da nova diretoria da Abramede
O presidente Régis Angnes levou a mensagem do Cremers ao novo corpo de diretores da Associação Brasileira de Medicina de Emergência – Regional RS (Abramede RS), que tomou posse nesta terça-feira (24) para o biênio 2026/2027.
“São vocês que terão de ajudar a absorver os médicos recém-formados que chegarão às emergências, com formações cuja qualidade não sabemos. Tomara que eles peguem, nas chefias do plantão, pessoas com boa formação que possam ajudá-los. Temos que batalhar pelo RQE, pela qualificação da Medicina. É dentro do nicho das especialidades que aprendemos o quanto isso é necessário”, ponderou Angnes, ressaltando a importância das sociedades de especialidades no avanço científico e na qualificação da profissão.
A diretoria da Abramede para o biênio 2026/2027 é:
Presidente: Ana Paula Freitas
Vice-presidente: Ana Paula Pereira da Silva
Primeiro-secretário: Lucio de Almeida Dornelles
Segunda-secretária: Camila Toscan
Primeiro-tesoureiro: Felipe Ferreira Gonçalves
Segundo-tesoureiro: Lucas Odacir Graciolli
Texto: Viviane Schwäger
Edição: Sílvia Lago
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Cremers promove evento gratuito sobre o uso de Inteligência Artificial na Medicina
O Cremers promove, na próxima quinta-feira (26), o evento “Entre Vidas e Algoritmos – Uso de IA para Médicos”. O encontro tem como objetivo incentivar a reflexão sobre a aplicação prática da Inteligência Artificial (IA) na área médica, abordando seus benefícios, desafios e limites éticos. O evento ocorrerá no Auditório do Cremers, em Porto Alegre, das 18h30 às 20h30.
A iniciativa busca oferecer aos profissionais da saúde um espaço qualificado para aprendizado e discussão sobre como a tecnologia pode ser uma aliada real na prática clínica. A programação inclui a apresentação de casos reais, proporcionando um debate aprofundado e a troca de experiências entre os participantes.
As inscrições são gratuitas e já estão abertas ao público. Os interessados podem fazer as inscrições na plataforma Sympla, e as vagas são limitadas.
Programação
18h30 Abertura
18h35 IA na prática clínica Dr. Natan Katz
19h00 Cases do uso de IA Dr. Vinícius Lain
19h25 Limites éticos e legais do uso de IA na Medicina Dr. Cristiano Colombo
19h50 Discussão e perguntas
20h30 Encerramento
Serviço
O quê: Entre Vidas e Algoritmos – Uso de IA para Médicos
Quando: Quinta (26), das 18h30 às 20h30
Onde: Auditório do Cremers – Rua Bernardo Pires, 415 – Santana, Porto Alegre-RS
Inscrições: Gratuitas, com vagas limitadas. Disponíveis no Sympla.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Viviane Schwäger
Cremers obtém vitória na Justiça contra fisioterapeuta que realizava infiltrações de medicamentos em pacientes
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) conquistou mais uma importante vitória judicial na defesa do ato médico e no combate ao exercício ilegal da Medicina. Em decisão da 1ª Vara Federal de Santo Ângelo (RS), uma fisioterapeuta foi proibida de aplicar técnicas invasivas, como a infiltração de medicamentos e anestésicos ou a exfiltração de líquidos.
A ação civil pública foi movida pelo Cremers após o recebimento de denúncias de que a profissional estaria realizando procedimentos injetáveis para o tratamento de doenças como osteoartrite, tendinites, bursites, além de atuar no alívio de dores crônicas ou agudas e inflamações. O Conselho argumentou que a formação em fisioterapia não habilita o profissional para o diagnóstico, a prescrição ou a execução de técnicas invasivas, alertando para os graves riscos à saúde pública decorrentes dessas práticas.
Em sua defesa, a ré alegou ter certificações em cursos de curta duração e pós-graduação, argumentando que normativas do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) autorizariam a prescrição de medicamentos específicos e a utilização de técnicas como intradermoterapia e mesoterapia. No entanto, a Justiça Federal rechaçou esses argumentos, reafirmando as disposições da Lei do Ato Médico (Lei 12.842/2013).
Riscos à saúde
Ao analisar o caso, a Justiça destacou que os procedimentos ofertados nos cursos realizados pela profissional não são simples e que as complicações decorrentes de sua execução são frequentes. Segundo a sentença, a prática exige máxima competência e treinamento profissional adequado, o que evidencia o risco à saúde quando realizada por não médicos.
A decisão ressaltou informações técnicas apresentadas pelo Cremers, apontando que infiltrações intra-articulares, mesmo quando realizadas por médicos, carregam riscos de complicações severas, como infecções osteoarticulares, atrofia do tecido subcutâneo, ruptura de tendões e lesões de nervos periféricos. O depoimento do médico ortopedista Renato Rangel Torres, integrante da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do Cremers, foi fundamental para demonstrar a complexidade dessas intervenções, que exige anos de formação acadêmica e meses de estágio supervisionado, em contraste com os cursos de 30 a 50 horas realizados pela fisioterapeuta.
A decisão concluiu que a oferta de cursos destinados a habilitar fisioterapeutas à prática de procedimentos injetáveis com medicação analgésica e anti-inflamatória “transborda às habilitações, autorizações e competências desses profissionais e encontra óbice na Lei 12.842/2013”. Além disso, pontuou que o diagnóstico da doença e a prescrição do tratamento eram realizados sem a devida intervenção médica, configurando violação legal.
Multa por descumprimento
A Justiça determinou que a profissional se abstenha imediatamente de divulgar e aplicar procedimentos de infiltração de medicamentos, anestésicos ou exfiltração de líquidos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 200,00 para cada publicação irregular e de R$ 1.000,00 para cada aplicação indevida realizada após a data da sentença.
Para o Cremers, a decisão representa um marco na proteção da sociedade contra profissionais não habilitados que colocam a vida dos pacientes em risco. O Conselho reafirma seu compromisso com a fiscalização e a defesa das prerrogativas exclusivas dos médicos, garantindo que a população receba atendimento seguro e de qualidade.
Leia aqui a decisão na íntegra.
Texto: Sílvia Lago
Edição: Letícia Bonato
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