Confira o artigo do presidente do Cremers, Régis Angnes, publicado no jornal Correio do Povo desta quinta-feira (22):
Veranistas foram brindados, neste fim de semana, com distribuição gratuita de picolés e panfletos de propaganda. Está nascendo uma nova faculdade de Medicina no estado. Divulgação, à primeira vista, inteligente. Enquanto saboreiam o sorvete, tomam conhecimento da notícia aparentemente singela e de importante alcance social: teremos mais médicos, ganhando a saúde e a população.
Mas será que é isso? O tema vem sendo debatido no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) com bastante preocupação.
Devemos anunciar uma faculdade de Medicina como quem vende um apartamento? Não nos parece o melhor caminho para se tratar a Medicina.
Ao colocarmos à disposição da sociedade uma instituição de ensino, não deveríamos primeiro nos preocupar com corpo docente, espaço físico, ambulatórios, calendário curricular, hospitais onde os alunos farão treinamento, fundamental ao exercício da Medicina, no qual um erro pode custar uma vida?
Esta nova casa de ensino tem ou teve alguma preocupação social no sentido de integrar jovens estudantes sem condições de cursar Medicina, ou está voltada a uma minoria detentora de poder aquisitivo? É um novo negócio, com objetivo financeiro, ou será criado um hospital com atendimento SUS aos menos privilegiados?
É voz corrente que as vagas de residência médica já estão completamente saturadas. A questão maior é preparar profissionais de saúde; logo, há que se prever disponibilidade de residência para formandos. Pouco ou nada adianta um diploma sem um cenário que prepare profissionais.
O Cremers tem consciência que a instalação de uma nova instituição de ensino se reveste de valia e importância e certamente recebeu a chancela da legalidade. Todavia, há um rito e um caminho a ser seguido com critérios os quais a equação econômica é o final, não o início.
O que nos preocupa é que saúde pública, atendimento e qualificação de novos médicos não podem ser tratados como quem distribui picolés de graça e faz divulgação em panfletos.




