Confira o artigo do vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, publicado no jornal Zero Hora desta sexta-feira (23).
O próximo governo do Rio Grande do Sul terá na saúde um de seus maiores desafios. Mais do que ampliar recursos, será necessário enfrentar um problema estrutural: a falta de integração entre serviços, planejamento e gestão orientada por resultados.
São mais de 610 mil solicitações de consultas especializadas pelo SUS, concentradas sobretudo na Região Metropolitana de Porto Alegre. Mais de 234 mil envolvem idosos. Reduzir filas exige regulação integrada, metas públicas e fortalecimento das referências regionais.
A superlotação das emergências reflete a desarticulação da rede. Atenção primária, especialistas e hospitais devem atuar de forma integrada, com fluxos definidos. O objetivo é simples: o paciente certo, no lugar certo, na hora certa.
Na saúde mental, o avanço da dependência química exige respostas concretas: ampliar o acesso ao tratamento, fortalecer a rede psicossocial e recuperar a capacidade assistencial dos hospitais psiquiátricos. Preconceitos ideológicos não podem substituir critérios técnicos nem restringir alternativas terapêuticas.
A defasagem da tabela SUS ameaça os hospitais. O Estado pode complementar a remuneração dos procedimentos, condicionando recursos a metas de produção, qualidade e redução das filas.
Os 49.809 processos judiciais na saúde evidenciam falhas de acesso. Regulação transparente, protocolos clínicos e planejamento podem reduzir conflitos e promover equidade.
O envelhecimento da população e as doenças crônicas exigem planejamento de longo prazo. As enchentes de 2024 reforçaram a necessidade de uma rede preparada para emergências climáticas, com planos de contingência e resposta regional.
O Rio Grande do Sul tem profissionais qualificados e instituições de excelência. O próximo governo precisa transformar essa capacidade em assistência acessível, assumindo a saúde como prioridade estratégica, com decisões técnicas, metas transparentes e coragem para enfrentar problemas históricos.




