O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) determinou a interdição ética cautelar parcial do exercício da Medicina no Hospital Universitário (HU) de Canoas. Na prática, fica VEDADO a qualquer médico o exercício profissional na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, no Centro Obstétrico, na Sala de Parto, no Alojamento Conjunto e na Internação Pediátrica.
A medida entra em vigor às 11h desta sexta-feira (20), foi tomada em virtude do colapso sistêmico verificado na instituição, e busca a proteção dos pacientes internados e da população de mais de 150 municípios que têm o HU como referência.
Como motivos principais para a interdição, o Cremers aponta a existência de vazios assistenciais planejados, a falência técnico-pedagógica da instituição, a coação financeira dos profissionais e o subdimensionamento da equipe médica a ponto de criar uma “loteria da morte” (situações em que o único plantonista seria obrigado a escolher qual paciente receberá socorro, condenando o outro a sequelas irreversíveis ou óbito).
As irregularidades foram apuradas por meio de vistorias de fiscalização, análise de documentos e depoimentos de envolvidos.
O HU havia sido notificado, no final de 2025, sobre os graves problemas nas escalas médicas. No auto de interdição, o Cremers acusa a persistência do cenário de caos, agravada por fatos documentados em janeiro e fevereiro de 2026, que configura contumácia, revelia administrativa e dolo eventual da Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do hospital. A inércia frente os riscos apontados pelo Conselho expuseram a população a perigo concreto de morte.
O Cremers alia a interdição ética à solicitação de providências por parte do Ministério Público Estadual, da Secretaria Estadual da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de Canoas e da Polícia Civil.
Prazo para organização
O Cremers decidiu pela interdição ética cautelar parcial do HU de Canoas em reunião plenária extraordinária realizada na quarta-feira (18). O prazo dado entre a votação e a interdição busca permitir aos gestores coordenar a transferência segura dos pacientes.




