O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) participou, nesta quarta-feira (19), do Summit Talks: Inteligência Artificial na Medicina. Realizado na Universidade Feevale, em parceria com o jornal Correio do Povo, o encontro reuniu mais de 100 participantes, entre médicos, estudantes de Medicina e profissionais de diferentes áreas da saúde, para discutir as possibilidades, os impactos e os desafios relacionados ao uso da inteligência artificial na prática médica.
Na abertura da programação, o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, destacou a importância de promover espaços de discussão sobre o avanço da tecnologia na Medicina.
“A inteligência artificial já faz parte da realidade da saúde e precisamos estar preparados para utilizá-la de forma responsável. É uma ferramenta de apoio ao trabalho médico, que pode trazer ganhos importantes, mas não substitui o conhecimento, a avaliação e a responsabilidade do profissional”, afirmou.
Um dos destaques foi o painel “Devolvendo o Médico ao Paciente: Como a IA Pode Eliminar a Fricção da Saúde”. Além de Trindade, participaram da discussão os conselheiros Thiago Dal Bosco e Vinicius Lain e o médico e membro da Câmara Técnica de Telemedicina do Cremers, Felipe Cabral.
Durante o painel, foram apresentados dados que apontam que apenas 27% do tempo do médico é dedicado exclusivamente ao paciente. Nesse contexto, a inteligência artificial pode contribuir para reduzir a carga administrativa e ampliar o tempo disponível para a assistência.
Também foram discutidas formas de tornar a Medicina mais longitudinal e contínua. As ferramentas de IA podem auxiliar na identificação de padrões, na antecipação de possíveis problemas, na personalização dos cuidados e no apoio a estratégias de prevenção.
No terceiro e último painel, “Bioética, Responsabilidade Civil e Regulação da IA Médica”, o conselheiro Vinicius Lain abordou a Resolução CFM nº 2.454/2026, que regulamenta o uso da inteligência artificial na Medicina brasileira.
A norma entra em vigor em 26 de agosto e estabelece diretrizes para a utilização da tecnologia na prática médica, reforçando a responsabilidade dos profissionais em sua aplicação, tanto em hospitais quanto em clínicas e demais ambientes de assistência à saúde.
Texto: Lisielle Zanchettin
Edição: Clarice Passos




