A coordenadora da Câmara Técnica (CT) de Psiquiatria do Cremers, Silzá Tramontina, participou de reunião de alinhamento da campanha estadual de conscientização contra o uso de cigarros eletrônicos, que será lançada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS). O encontro ocorreu nesta sexta-feira (20/2), na sede do MP-RS, e reuniu representantes de entidades da saúde, segurança, educação e fiscalização.
Participaram do encontro a promotora de Justiça Cristiane Della Mea Corrales, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude; o promotor de Justiça Leonardo Menin, coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e da Proteção aos Vulneráveis; e a procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros.
Em sua fala, Tramontina ressaltou que a questão do uso de cigarros eletrônicos (vapes) preocupa o Cremers há muito tempo, e que os danos não se restringem à saúde física dos usuários, mas atingem também a saúde mental. Segundo a médica, é cada vez mais frequente o atendimento a crianças e adolescentes com alterações psiquiátricas associadas ao uso desses dispositivos. “Tenho visto muito, no meu consultório, crianças e adolescentes com alterações psiquiátricas causadas pelo uso do cigarro eletrônico. Antes das questões pulmonares e cardíacas, os pacientes apresentam sintomas como agressividade, irritabilidade e até mesmo psicose induzida pelo uso”, alertou. Ela reforçou, ainda, a importância de unir as diversas entidades presentes em uma campanha de prevenção, conscientização e repressão ao consumo.
Atualmente, os cigarros eletrônicos são proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas os especialistas presentes destacaram que o acesso aos dispositivos segue fácil, tanto pela internet quanto em pontos de venda físicos. Foi enfatizado que esses produtos podem conter concentrações elevadas de nicotina, associados a solventes, metais pesados e aromatizantes, o que aumenta o potencial de toxicidade e dependência, especialmente entre jovens. Também foi mencionado que, ao contrário do cigarro convencional, cujos efeitos costumam aparecer após uso prolongado, os cigarros eletrônicos podem rapidamente causar problemas pulmonares graves, comprometimento cardiovascular e prejuízos cognitivos.
Outro ponto abordado foi o apelo mercadológico dos dispositivos, com formatos discretos, luzes e sabores atrativos, o que contribui para a falsa percepção de menor risco e torna crianças e adolescentes mais vulneráveis ao consumo.
Além do Cremers, do MPF e do MP-RS, estiveram presentes representantes da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), da Associação de Psiquiatria do RS (APRS), da Polícia Civil, da Brigada Militar, além de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), entre outras instituições.
Em breve, a CT de Psiquiatria do Cremers irá lançar parecer sobre o uso de cigarros eletrônicos, oficializando a posição do Conselho sobre a temática e oferecendo subsídios técnicos para ações de prevenção, regulação e cuidado em saúde.
Texto: Clarice Passos
Edição: Viviane Schwäger




