Uma denúncia feita pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), em 2023, após a identificação de um diploma falso apresentado para obtenção de registro profissional, deu origem à investigação da Polícia Federal que resultou na operação deflagrada nesta quarta-feira (12) contra um esquema de venda de diplomas falsos para acesso a cursos de Medicina e obtenção de registro profissional.
Na época, o Cremers identificou a fraude e comunicou o caso à Polícia Federal, que realizou a prisão da mulher, de 33 anos, que exercia a Medicina no município de Cacique Doble (RS).
Natural do Acre, ela apresentou um diploma de Medicina do Centro Universitário Funorte, de Montes Claros (MG). A fraude foi constatada durante a conferência da documentação apresentada ao Cremers, que verifica, entre outros itens, a autenticidade do diploma diretamente com a instituição de ensino.
Segundo o documento falso, a formatura teria ocorrido em 1º de fevereiro de 2023. No entanto, a mulher, que possuía registro no Ministério da Saúde pelo Programa Mais Médicos, atendia comunidades indígenas em Cacique Doble desde 2017.
A identificação da fraude só foi possível devido ao processo de verificação adotado pelo Cremers para conferir a veracidade dos documentos apresentados para registro profissional. A checagem da formação médica é uma das etapas fundamentais para impedir que pessoas sem formação regular obtenham registro e exerçam ilegalmente a Medicina.
De acordo com a Polícia Federal, outros 45 investigados teriam adquirido diplomas falsos e obtido registro em Conselhos Regionais de Medicina. Até o momento, não há confirmação de que esses registros tenham sido realizados no Rio Grande do Sul.
O Cremers irá solicitar à Polícia Federal informações sobre os investigados e os documentos relacionados à operação para verificar eventual existência de outros registros obtidos de forma irregular e adotar as medidas cabíveis.
O Cremers reforça que não admite fraudes para obtenção de registro profissional e seguirá atuando de forma rigorosa na identificação de irregularidades e no encaminhamento dos casos às autoridades competentes, contribuindo para impedir o exercício ilegal da Medicina, valorizar a profissão médica e proteger a segurança dos pacientes.
Texto: Lisielle Zanchettin
Edição: Sílvia Lago




