
O registro do 38º feminicídio de 2026 no Rio Grande do Sul reacende o debate sobre a importância da identificação precoce de situações de violência e do fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Para o conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), André Luiz da Silva, os serviços de saúde ocupam posição estratégica nesse processo, muitas vezes representando o primeiro espaço em que a vítima busca ajuda.
O tema foi debatido durante evento promovido pelo Cremers, no último dia 26 de maio, que reuniu especialistas, representantes de instituições e profissionais de diversas áreas para discutir estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento da violência contra a mulher. A atividade reforçou o compromisso da Medicina com a defesa da vida e da dignidade humana.
Durante o encontro, o conselheiro destacou que os casos de violência frequentemente chegam aos serviços de saúde de forma indireta, por meio de queixas físicas e emocionais. Segundo ele, cabe aos profissionais desenvolver uma escuta qualificada e estar atentos aos sinais que podem indicar situações de violência.
“Precisamos validar o relato quando a mulher finalmente consegue falar. Podemos ser agentes de proteção porque, muitas vezes, a saúde é a primeira porta de entrada para mulheres vítimas de violência”, afirmou o conselheiro e médico de Família e Comunidade.
Silva também abordou os impactos da violência na saúde das mulheres, ressaltando a associação com quadros de depressão, dor crônica, transtornos psicológicos e outras condições que levam muitas vítimas a procurar atendimento médico de forma recorrente.
O médico destacou ainda a importância do registro adequado das informações em prontuário, da notificação dos casos conforme os protocolos vigentes e da integração entre saúde, assistência social, segurança pública e sistema de justiça para garantir proteção efetiva às mulheres.
Segundo o conselheiro, a atuação dos profissionais de saúde pode ser decisiva para interromper ciclos de violência, identificar situações de risco e encaminhar as vítimas para atendimento e suporte especializados.
Texto: Lisielle Zanchettin
Edição: Sílvia Lago




