O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) reuniu, nesta quinta-feira (7), especialistas civis e militares para um debate inédito sobre transporte aeromédico no estado, no auditório da autarquia, em Porto Alegre. O encontro “Transporte Aeromédico no Rio Grande do Sul: Desafios, Avanços e Soluções” discutiu a importância desse serviço para salvar vidas e consolidar aprendizados após as enchentes de 2024, quando a Operação Taquari 2 mobilizou um grande esforço de remoção e transporte aéreo de pacientes em situação de calamidade.
Na abertura do evento, o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, ressaltou que o objetivo é melhorar a assistência à saúde no estado a partir das lições deixadas pelas enchentes. “Com a Operação Taquari 2, das Forças Armadas brasileiras para auxiliar o Rio Grande do Sul após as maiores enchentes de sua história, em 2024, conseguimos mitigar muitas mortes. Não podemos deixar que essa expertise se perca e precisamos que o transporte aeromédico no Rio Grande do Sul se torne uma política de Estado”, enfatizou Trindade.
Ao longo da tarde, painéis temáticos abordaram desde as tragédias recentes como oportunidade de aprendizado até o mapeamento da estrutura disponível hoje nas redes pública e privada. Um dos primeiros eixos, “Tragédias como aprendizado / enchentes / Operação Taquari 2”, trouxe relatos de quem esteve na linha de frente do resgate, enfatizando como a integração entre Forças Armadas, Corpo de Bombeiros, gestores públicos e iniciativa privada foi fundamental para organizar o transporte de pacientes em helicópteros e aeronaves. O general de Exército Hertz Pires do Nascimento, que comandou o Comando Operacional Conjunto Taquari 2, participou do debate e ressaltou que essa foi a maior operação militar interagências da história do Brasil e que, na ocasião, todo o país se uniu em prol do RS.
Outro painel, “Modelos de outros estados”, apresentou experiências bem-sucedidas de regiões que já estruturaram serviços de transporte aeromédico, destacando protocolos, financiamento e articulação entre regulação, hospitais e equipes de resgate. Em seguida, o bloco “O que o RS tem?” fez um diagnóstico do cenário gaúcho, com um mapeamento das capacidades instaladas na rede privada e no SUS, evidenciando gargalos, potencial de expansão e necessidade de planejamento integrado.
A capacitação médica também esteve no centro do debate. No painel “O que todo médico precisa saber sobre transporte aeromédico”, especialistas da área apresentaram critérios clínicos para indicação do transporte, limites de distância para remoções terrestres, condições de segurança e requisitos técnicos das equipes que atuam a bordo, reforçando que a UTI aérea é uma extensão do cuidado hospitalar, e não apenas um meio de transporte rápido.
O último painel, intitulado “O que o RS pode fazer”, trouxe propostas para regulamentar o transporte aeromédico, ampliar o uso dessa modalidade e consolidar protocolos que orientem médicos e serviços em situações de rotina e de emergência.
As recomendações apresentadas irão subsidiar a atuação do Cremers na elaboração de normas e na interlocução com autoridades, reforçando o compromisso do Conselho em liderar discussões estratégicas para qualificar a Medicina de Emergência e preparar o Rio Grande do Sul para responder com mais agilidade e segurança a futuros desastres e à demanda cotidiana por remoções complexas.
Encerrando o evento, o vice-presidente Eduardo Neubarth Trindade entregou medalha ao comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do RS, coronel Ricardo Mattei; ao comandante do Batalhão de Aviação da Brigada Militar do RS, tenente-coronel Diego Klein Penha; e ao subcomandante do Quinto Comando Aéreo Regional (V Comar), coronel-aviador Eduardo Fatme Michelin, em reconhecimento à atuação dessas instituições.
Também estiveram presentes a segunda-secretária do Cremers, Laís Leboutte; a tesoureira Mirela Jimenez; a corregedora Márcia Vaz; o subcorregedor Vinícius von Diemen; o membro da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial, Vinícius Ayres; os conselheiros Manoel Trindade, Thiago Dal Bosco, Maria Fernanda Detanico, Fabiano Nagel e Mohamad Hamaoui, além de diversas autoridades civis e militares do país.
Texto: Clarice Passos
Edição: Sílvia Lago




