O Cremers debateu a crescente escalada de violência contra médicos nas unidades de saúde do Rio Grande do Sul durante a Reunião de Diretoria realizada nesta segunda-feira (11). O encontro contou com a presença do comandante de Policiamento da Capital (CPC), coronel Márcio Luiz da Costa Limeira, além de representantes de outras instituições da área da saúde. O objetivo foi estabelecer estratégias conjuntas e protocolos de segurança para proteger os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população.
Durante a reunião, os participantes destacaram que as agressões a médicos, especialmente em serviços de urgência e emergência, têm assumido proporções alarmantes. Os relatos indicam que a violência verbal é a forma mais frequente de agressão, muitas vezes motivada pela superlotação, pela demora nos atendimentos e pela falta de profissionais — problemas estruturais do sistema de saúde que acabam sendo transferidos para a responsabilidade final dos médicos.
O presidente do Cremers, Régis Angnes, caracterizou a situação como uma “epidemia” e destacou a necessidade de conscientização pública: “O médico está na linha de frente para ajudar, não para ser agredido. O grande problema é que o médico tem que resolver tudo lá na ponta e, às vezes, é um cavaleiro solitário”. A corregedora do Cremers, Márcia Vaz, ressaltou a importância de uma análise sobre o problema, apontando que as agressões muitas vezes são reflexo de deficiências estruturais do sistema de saúde. “Temos que pensar de forma mais ampla. A realidade começa pela educação, que é bem difícil de mudar em curto prazo; e temos que pensar também nas questões que envolvem o próprio atendimento médico”, comentou.
O coronel Costa Limeira ressaltou a importância da notificação imediata e do aprimoramento dos registros policiais. Segundo o comandante, é fundamental que haja uma caracterização mais precisa das agressões vinculadas ao exercício profissional nos boletins de ocorrência, permitindo que a Brigada Militar possa atuar de forma mais direcionada. Além disso, foi discutida a necessidade de protocolos de acionamento rápido das forças de segurança, garantindo que a polícia militar intervenha ao menor sinal de escalada de violência, antes mesmo que a agressão ocorra.
O primeiro-secretário do Cremers, Nelson Batezini, destacou a necessidade de formalizar os procedimentos de segurança e a comunicação entre as instituições: “É importante que os diretores técnicos das instituições orientem seus médicos a fazerem o boletim de ocorrência para termos estatísticas”, recomendou.
Para o Cremers, a naturalização da violência verbal e o medo de represálias têm levado à subnotificação dos casos. Muitos médicos optam por não registrar as ocorrências. Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelam que, em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência por agressões a médicos no Brasil, o que representa uma média de 12 profissionais atacados a cada dia.
Ana Paula Freitas, presidente da Abramede-RS, destacou uma perspectiva fundamental sobre prevenção e o papel das equipes de segurança patrimonial nas unidades de saúde. “Os seguranças desses estabelecimentos são responsáveis pelo patrimônio. Esses profissionais precisam entender que são responsáveis pela segurança de todo o local, inclusive das pessoas que ali trabalham”, defendeu.
Também participaram da reunião o diretor da Atenção Hospitalar da Secretaria Municipal da Saúde, David Kerber; o coordenador da Emergência da Secretaria Municipal da Saúde, Fabiano Barrionuevo; o diretor técnico do Hospital da Restinga, Pedro Henrique Comerlato; e a médica Luiza Mumbach.
Texto: Sílvia Lago




